Cartilha dos Pacientes Renais – Saúde e Cidadania A intenção deste blog é divulgar informações sobre a doença renal, formas de tratamento, leis e instituições de apoio, assim como as mais recentes notícias da área da saúde, para contribuir na melhoria da qualidade de vida dos pacientes renais.

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Cartilha dos Pacientes Renais – Saúde e Cidadania

CARTILHA DOS PACIENTES RENAIS - SAÚDE E CIDADANIA

AUTOR

Carlos Eduardo Urjais Rodrigues

Fevereiro 2011

"Até descobrir que era doente renal, eu sofri muito. Comecei com os problemas aos 13 anos de idade e de lá pra cá foi uma peregrinação".   (A. L. S. – paciente renal há 16 anos)

APRESENTAÇÃO

“Devido à falta de informação às pessoas, a maioria quando descobre, praticamente já tem que entrar direto para a diálise...” (G.N.S. - paciente transplantado há 15 anos)

Muita coisa já se escreveu sobre a doença renal crônica. Esse conhecimento circula em livros, pela televisão e pela internet. Mesmo assim, em conversa com doentes renais crônicos, percebi que eles desejam saber cada vez mais sobre a doença que têm.

Essa publicação nasceu da minha vontade de contribuir de alguma forma para melhorar a qualidade de vida dos pacientes renais crônicos, sobretudo daqueles que acabaram de receber o diagnóstico.

É com grande satisfação que apresento esta cartilha, desejando que ela seja útil para os pacientes renais crônicos e transplantados e que possa levar informação a todas as pessoas interessadas em conhecer a realidade dos portadores de doença renal crônica.

O que é insuficiência renal crônica?

A insuficiência renal é uma doença que impede os rins de realizarem suas funções. Os rins são órgãos que filtram o sangue, limpando e equilibrando os níveis das diferentes substancias que estão nele. Os rins também são responsáveis pelo controle da pressão arterial.

Com a insuficiência renal os rins começam a perder a capacidade de filtrar o sangue, que passa a conter excesso de água e substâncias tóxicas. Essas substâncias ficam na circulação entrando em contato com as células. Alguns pacientes portadores de insuficiência renal levam anos para apresentar os sintomas.

A insuficiência renal pode se apresentar de duas formas: aguda ou crônica. Na insuficiência renal aguda há uma diminuição súbita e temporária das funções dos rins. Na maioria dos casos, quando o tratamento é feito de forma adequada, é possível conseguir a cura. Nesses casos a diálise é apenas temporária. Ela é usada até os remédios e a dieta fazerem efeito. Na insuficiência renal crônica os rins deixam de funcionar. O paciente precisa ser submetido à diálise regularmente até conseguir um transplante ou por toda vida.

Quando devemos procurar o médico?

Os sinais da doença renal podem ser percebidos quando observamos a urina regularmente, ou seja, a densidade urinária é sempre baixa mostrando a incapacidade do rim em concentrar a urina. Por isso, pacientes com insuficiência renal crônica nos informam que sua urina é sempre clara e que nunca muda de cor.

Os primeiros sinais de doença renal aparecem nela. O volume da urina pode diminuir ou aumentar. Urinar muito, de três a quatro litros por dia, pode ser sinal de diabetes e também pode ser um sinal de problemas renais.

Outros sintomas são sentidos pelo paciente como: ardor, dificuldade para urinar, urinar com sangue, olhos, mãos e/ou pés inchados, (especialmente em crianças), dor de lumbago (abaixo das costas) que não se altera com o movimento, pressão arterial elevada. Quando o rim está inflamado, infectado ou aumentado por tumor ou obstrução ocorre dor nas costas ou nos lados. Quando há cálculos a dor é aguda, intensa e em cólica.

Caso haja suspeita de que a pessoa tenha doença renal os exames iniciais são o exame de urina e a dosagem da creatinina no sangue. Quando ocorre aumento nas taxas de creatinina significa que há uma diminuição da capacidade de filtração dos rins.

ESSA DOENÇA TEM CURA?

"Quando descobri que meus rins não funcionavam mais, fiquei desesperada, mas depois vi que tinha tratamento...” (L. S. – paciente renal crônica há dois anos)

A Insuficiência Renal Crônica, por ser uma doença progressiva e silenciosa seu diagnóstico, na maioria dos casos, só é feito na fase terminal. No Brasil a pessoa costuma descobrir a doença muito tarde. Nesses casos o indicado é a imediata terapia de substituição da função renal, na forma de diálise peritoneal, hemodiálise ou transplante.

Diálise Peritoneal

A diálise peritoneal usa a parte o revestimento do abdômen, membrana peritoneal, para filtrar o sangue (pode ser feita na residência do paciente). Existem dois tipos de Diálise Peritoneal: Ambulatorial Contínua (CAPD) e a Cíclica Contínua (CCPD ou DPA).

Hemodiálise

A hemodiálise é a modalidade de tratamento predominante no Brasil. Consiste na filtragem do sangue através de uma máquina. Em geral se filtra o sangue três vezes por semana, em sessões que duram em média de 4 horas. O procedimento é feito em hospitais ou clínicas especializadas.

Para que o sangue passe pela máquina é necessário a colocação de um cateter venoso (temporário) ou a confecção de uma fístula (procedimento realizado mais comumente nas veias do braço, para facilitar a diálise, criando uma região de entrada. Essa região se chama fístula.

A fístula precisa estar sempre limpa. Lave o braço com água e sabonete, ou sabão de coco. Isso evita infecções. Não pegue peso nem aperte o braço da fístula. Você não pode passar nenhum tipo de creme, pomada, ou tintura em cima da fístula sem ter sido recomendado pelo médico. Não remova pelos ou aperte espinhas na região da fístula. Deve-se fazer exercício de abrir e fechar a mão com uma bola para fortalecer a musculatura do braço e verificar regularmente o funcionamento da fístula.

"A clínica é boa a equipe médica também é boa, são rígidos com os pacientes, tem boa estrutura, o problema é a distância, gostaria de fazer a diálise perto de casa". (J.B.O. – paciente em hemodiálise há 5 anos)

No dia seguinte a diálise você deve retirar o curativo do braço e colocar uma compressa morna no lugar. Qualquer alteração no local da fístula deve ser informada a equipe médica e de enfermagem que atende você. Você deve notificar a equipe médica também caso tenha tido algum sangramento em casa, por exemplo, do nariz, menstruação, escarro com sangue, vômito com sangue e outros.

Você pode sentir fraqueza depois da diálise. É comum também sentir cãibras musculares e queda de pressão arterial durante a sessão de hemodiálise.

No início a rotina da hemodiálise pode parecer insuportável, mas aos poucos, você criará suas saídas. Você está se adaptando a uma nova rotina e o corpo está se adaptando a um tratamento bastante invasivo.

Transplante

O transplante renal é a substituição do rim doente por um rim saudável de um doador. Qualquer pessoa adulta, saudável, tenha função renal normal e não apresente evidências de risco de doença renal, pode ser doadora, desde que demonstre espontaneamente este desejo.

Existe uma lista de espera para o transplante do rim. Para você se inscrever nessa lista e concorrer a um transplante, precisa ser avaliado por um médico autorizado. Esse médico vai preparar uma documentação sobre seu caso. Essa documentação será encaminhada para a análise da equipe multiprofissional que organiza a lista de espera por transplante.

"Depois do transplante só tenho que ter alguns cuidados que eu não tinha antes. Estou feliz..." (A. R. S. – paciente transplantada há 3 anos).

"Depois do transplante minha vida mudou, sou outra pessoa, parece que nasci de novo..." (S. S. N. – paciente transplantado há 2 anos).

Lista de Espera para Transplante Renal com doador falecido

Como funcionam as listas de espera de transplantes?

A Lista Única Nacional é formada pelo conjunto das Listas Estaduais que, por   sua vez, são formadas pelas Listas Regionais.

O que se precisa entender   sobre a lista de espera:

a) não é uma fila, onde quem chega primeiro tem preferência. O que determina a   preferência é a compatibilidade entre o doador e o receptor. Sendo satisfeita a exigência da compatibilidade, outro ponto determinante da   escolha do receptor é a urgência do transplante.
No caso do transplante renal a única situação de urgência é a impossibilidade total de acesso para hemodiálise, ou seja, aquele paciente que não pode mais realizar a hemodiálise por impossibilidade de acesso (não tem fístula e não se consegue mais o implate de cateteres).

b) No caso de empate, ou seja, dois pacientes com a mesma compatibilidade o tempo de espera e outras carcaterísticas são utilizadas como criterios de desempate.

Para a consulta na lista deve-se conhecer o RGCT (registro da central de transplantes) que deve ser obtido com as equipes de transplante ou com os centros de diálise a qual esta vinculado.

Pode-se então consultar a posição no link abaixo:

Posição em Lista de Espera para Rim

Posição em lista para Transplante de Pâncreas e Rim

COMO POSSO AJUDAR NO TRATAMENTO?

Uma coisa simples de se fazer é seguir a dieta alimentar recomendada pelo médico e nutricionista. Outra coisa importante, você deve ingerir pouco líquido e tomar os remédios no horário certo. O médico deve ser visitado regularmente. Se for faltar a diálise avise ao hospital para que não se desperdice o material que seria usado por você.

Mantendo-se em condições favoráveis de tratamento, você poderá realizar hemodiálise por muitos anos com boa qualidade de vida.

Como a dieta pode ajudar?

O nutricionista com experiência na área de hemodiálise pode ajudá-lo a planejar sua alimentação. Existem algumas orientações gerais.

"No começo achei que não iria agüentar porque antes eu comia de tudo. Mas com disciplina, foi mais fácil do que pensei” (C.F.M. – paciente em hemodiálise há 9 meses).
* Potássio. Esse mineral, afeta a constância dos batimentos cardíacos, então ingerir muito dele pode ser perigoso para o coração. Para controlar os níveis de potássio no sangue você deve evitar laranja, banana, tomate, batata, frutas secas, hortaliças e feijões.

*Cloreto de sódio (Sal). A maioria dos alimentos enlatados e comidas congeladas contêm grandes quantidades de sódio. Muita quantidade de sódio aumenta a necessidade do consumo de líquidos. Você deve dar preferência aos comer alimentos frescos e naturais que têm menos sódio.

* Proteínas. Os nutricionistas recomendam a ingestão de proteínas para ajudar na reparação muscular e dos tecidos. Por outro lado, consumir proteínas eleva a quantidade de uréia no organismo. É preciso procurar o equilíbrio.

* Calorias. As calorias fornecem energia ao organismo. Pessoas que estão fazendo hemodiálise precisam aumentar a quantidade de calorias da sua dieta. Óleos vegetais (como os de oliva, canola e girassol) são boas fontes de calorias. Mel e doces também fornecem energia e calorias, porém pacientes com diabetes devem ter cuidado ao ingeri-los.

* Ferro. Os rins produzem o hormônio eritropoietina, que estimula a produção de células vermelhas. Quando a pessoa tem insuficiência renal, os rins não conseguem fabricar o hormônio em níveis suficientes. É importante uma alimentação rica em ferro, existente em alimentos como o fígado, carnes em geral e verduras verdes folhosas. Seu médico prescreverá medicamento que ajudará seu organismo na fabricação de células vermelhas do sangue.

ÁGUA ELEMENTO CORINGA

Os líquidos em geral, juntamente com o sal, são eliminados através da urina. A água ajuda a diminuir os riscos de doença renal quando os rins têm seu funcionamento normal.  Todos devem beber muita água. Porém, quando uma pessoa se vê paciente renal crônico, significa que seus rins não estão filtrando os líquidos como antes. Nesse momento o consumo de água deve diminuir.

Quando a capacidade de filtrar o sangue dos rins diminui, os líquidos e o sal se acumulam no corpo, provocando os inchaços. Quem urina pouco e se bebe muito corre o risco de fadiga e falta de ar por acúmulo de líquido nos pulmões.

Não esqueça que além da água, alimentos como leite, café, chá, refrigerantes, sopas, gelatina, laranja, melancia, melão, etc., também são líquidos e precisam ser consumidos com cuidado.

Para saber quanto se pode tomar de líquidos no dia você deve medir a quantidade de urina durante 24 horas. Você deve beber a água na mesma quantidade de urina. Por exemplo, se você urinou no dia anterior um litro de urina, você deve beber um litro de água. Peça seu médico para te ajudar a calcular.

Dicas

* Coma alimentos com pouco ou sem sal, pois assim você terá menos sede.

* Quando sentir a boca seca coloque um pedaço de limão na boca para estimular a saliva, ou use balas duras e azedas ou chicletes para umedecer a boca, o que melhor lhe convir.

* Faça bochecho ou enxágüe a boca com água, mas não engula.

* Para “matar” a sede, coloque uma pedra de gelo na boca.

O QUE VAI MUDAR NA MINHA ROTINA?

Na verdade com a descoberta da enfermidade começa a primeira mudança na sua rotina, pois a partir daí seus pensamentos ficam voltados para o assunto. Então vamos fazer uma forcinha e encarar o que está por vir.

“Primeiro passei por um processo de reavaliação da minha vida, a cabeça da uma volta após a descoberta da doença, aí parei e vi que tinha que colocar minha cabeça no lugar” (R. L. O. – paciente em hemodiálise há 6 anos).

Os alimentos são a principal fonte de nutrição do organismo, fornecendo a ele proteínas, hidratos de carbono, gorduras, sais minerais – sódio, cálcio, fósforo, potássio, etc., água e vitaminas. Todos esses nutrientes, juntamente com a água, sais minerais e vitaminas, contidos em quase todos os alimentos, são imprescindíveis para uma boa saúde. Sua alimentação e ingestão de líquidos deverão ser de acordo com o que seu médico prescrever.

No caso de diálise, você terá que dispor de algumas horas, três vezes por semana para ir a uma clínica ou hospital (hemodiálise) ou a diálise que pode também ser realizada em casa (peritoneal), na qual você disporá de algumas horas durante o dia ou à noite.

“No início foi tudo muito difícil. Aquela máquina me metia medo, depois acostumei, inclusive com a dieta, chorei muito.” (M. L. O. – paciente em hemodiálise há 1 ano)

Se você tem uma atividade física ou de trabalho que requerem muita força, possivelmente você terá que se adaptar a esta nova realidade de vida e seguir as orientações de seu médico.

"Já não fazia exercício há muito tempo, quanto a isso não tive problemas, mas o trabalho faz muita falta, primeiro porque preciso, depois porque gosto...tenho que mudar de trabalho, eu era mecânico." (M. A. M. – paciente renal há 6 meses)

O que você pode fazer para melhorar sua força física?

Exercícios físicos são importantes para a recuperação da sua força física, porém, a orientação médica sobre o programa de exercícios mais recomendado para cada paciente é essencial.

Quanto tempo tem que esperar para voltar ao trabalho?

Só você pode decidir qual o melhor momento para voltar a trabalhar, porém uma conversa com o seu médico é importante.

Para quem começa um tratamento dialítico, a volta ao trabalho pode ser rápida. Para aqueles que fazem transplante, devido ao tempo de recuperação, a volta pode ser mais demorada.

"Tenho muita vontade de trabalhar. Sei que não pode ser na mesma atividade de antes, mas quero trabalhar, preciso trabalhar..."(A.S.S. – paciente renal há 10 meses.

Que tipo de trabalho pode ser realizado quando estamos em diálise?

Você pode trabalhar em qualquer setor que queira desde que a atividade que venha a ser executada não prejudique seu tratamento. Antes de qualquer coisa, você deve conversar com o seu médico a respeito de suas idéias e anseios em relação ao trabalho.

Estamos próximo de realizar eventos de importância mundial, como: Olimpíada, Copa do Mundo e outros. Por exemplo, o setor de turismo e hotelaria está em alta e necessitando de muita mão de obra. Para quem não tem ainda um trabalho definido ou necessite de mudar sua atividade, pois antes era uma atividade pesada, estes setores ofertam diversos cargos que não exigem força física e a disponibilidade de horário é diversificada.

Se você tem uma atividade física ou de trabalho que requerem muita força, possivelmente você terá que se adaptar a esta nova realidade de vida e seguir as orientações de seu médico.

"Como quase tudo que comia antes. Essa foi a parte mais fácil". (C. R. S. – paciente em hemodiálise há 2 anos)

QUE LEIS ME AMPARAM?

Toda pessoa que se encontra em desvantagem devido às suas limitações e/ou barreiras erguidas pela sociedade, mesmo que inconscientemente é um portador de deficiência.

Tal afirmativa encontra sustentação em algumas leis, decretos, programas ou portarias, como veremos a seguir.

DECRETO Nº 7612 DE 17 DE NOVEMBRO DE 2011

Institui o Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência - Plano Viver sem Limite

Art. 1o Fica instituído o Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência – Plano Viver sem Limite, com a finalidade de promover, por meio da integração e articulação de políticas, programas e ações, o exercício pleno e equitativo dos direitos das pessoas com deficiência, nos termos da Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo.

 

PORTARIA Nº 666, DE 17 DE JULHO DE 2012

Aprova o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas - Imunossupressão no Transplante Renal.

§1º- O Protocolo objeto deste Artigo, que contém o conceito geral da imunossupressão no transplante renal, critérios de diagnóstico da rejeição, critérios de inclusão e de exclusão, tratamento emecanismos de regulação, controle e avaliação, é de caráter nacionale deve ser utilizado pelas Secretarias de Saúde dos Estados e dos Municípios na regulação do acesso assistencial, autorização, registro eressarcimento dos procedimentos correspondentes.

Lei da acessibilidade - Decreto Lei 5296 de 02 de dezembro de 2004, regulamenta as leis nº 10048, de 08 de novembro de 2000, que dá prioridade de atendimento as pessoas portadoras de deficiência, os idosos com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos, as gestantes, as lactantes e as pessoas acompanhadas por crianças de colo, de 19 de dezembro de 2000, que estabelece normais gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida.

Segundo a Constituição Federal, o artigo 196 diz que a “Saúde é direito de todos e dever do Estado”, garantindo ainda acesso universal e igualitário às ações e serviços para promoção, proteção e recuperação da saúde com gratuidade e sem qualquer tipo de discriminação.

A lei 7853/89, dispõe sobre o apoio às pessoas portadoras de deficiência, sua integração social e no seu Art. 2º detalha que o poder público e seus órgãos, têm que assegurar “às pessoas portadoras de deficiência o pleno exercício de seus direitos básicos, inclusive dos direitos à educação, à saúde, ao trabalho, ao lazer, à previdência social, ao amparo à infância e à maternidade, e de outros que, decorrentes da Constituição e das leis, propiciem seu bem-estar pessoal, social e econômico”.

O Decreto nº 3298 de 20 de dezembro de 1999, que regulamenta a Lei nº 7853/89, dispõe sobre a Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência, consolida as normas de proteção e dá outra providências.

A Portaria 1168/GM de 15 de junho de 2004 institui a Política Nacional de Atenção ao Portador de Doença Renal, que adota providências para organizar e implantar as Redes Estaduais de Assistência em Nefrologia na alta complexidade, definindo tais redes, em sua composição por Serviços de Nefrologia e Centros de Referência em Nefrologia.

RDC 154 - ANVISA de 15 de junho de 2004 estabelece o regulamento técnico para o funcionamento dos serviços de diálise, onde se inspeciona documentação das instituições prestadoras dos serviços, suas instalações adequadas para o tipo de serviço em diálise, o número de pacientes e higiene local.

Lei nº 9434, de 04 de fevereiro de 1997, dispõe sobre a remoção de órgãos, tecidos e partes do corpo humano para fins de transplante e tratamento e dá outras providências.

Lei nº 10211, de 23 de março de 2001, altera dispositivos da Lei nº 9434, de 04 de fevereiro de 1997.

Além dessas leis, o paciente renal assim como toda pessoa portadora de alguma deficiência, encontra suporte no Código de Ética Médica (CEM), que diz entre outros, “todo paciente tem direito a atendimento gratuito e atencioso, respeitados seus interesses, segurança e pudor, em local digno e adequado”.

O paciente encontra suporte também no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que diz entre alguns de seus dispositivos, “os estabelecimentos de atendimento à saúde deverão proporcionar condições para a permanência, em tempo integral, de um dos pais ou responsável, nos casos de internação de crianças e adolescentes (até 18 anos)”.

A Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), diz entre outros, “todo cidadão tem direito a cuidados médicos sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, sexo, idade, condição social, nacionalidade, opinião política, religiosa ou de outra natureza ou, por ser portador de qualquer doença, infecto-contagiosa ou não”.

A carta dos Direitos dos Usuários da Saúde baseia-se em seis princípios básicos de cidadania. Juntos, eles asseguram ao cidadão o direito básico ao ingresso digno nos sistemas de saúde, sejam eles públicos ou privados. A carta é também uma importante ferramenta para que você conheça seus direitos e possa ajudar o Brasil a ter um sistema de saúde com muito mais qualidade.

Campanhas do Ministério da Saúde também fazem parte do suporte ao paciente renal, como por exemplo, a campanha de “Doação de Órgãos”, onde se conscientiza a população para a importância deste ato, o programa “Mais Saúde”, conhecido como “PAC da Saúde”, onde a estratégia é melhorar as condições de saúde e a qualidade de vida da população brasileira.

ONDE EU ENCONTRO?

Discriminação? A quem pedir ajuda?

Não confunda discriminação com preconceito. A partir do momento que você não gosta de uma pessoa por causa de uma determinada característica, você está pré conceituando, isto é o preconceito.

A discriminação é quando determinadas atitudes, baseadas em preconceito, são tomadas de modo que os direitos dessa pessoa sejam vedados.

Você deve pedir ajuda em caso de discriminação à Promotoria na área da saúde. Caso não tenha uma promotoria, em cidade com número pequeno de habitantes, a Procuradoria da região onde você reside deverá ser acionada.

Se eu não puder trabalhar tenho direito a algum tipo de benefício social?

Você pode ser incluído em algum tipo de benefício, de acordo com várias situações: caso contribua ou contribuiu algum tempo para a Previdência Social, se é portador de deficiência ou possuir renda per capta mínima.

O doente renal crônico precisa se deslocar regularmente para receber o tratamento por isso tem direito a receber um vale social.

O que é vale social?

O Vale Social permite que pessoas portadoras de deficiência e portadoras de doença crônica de natureza física ou mental, que exijam tratamento continuado, possam ficar isentas do pagamento de tarifas nos serviços de transporte intermunicipal de passageiros no Estado do Rio de Janeiro.

Você pode se cadastrar para receber seu vale social nos postos da Fundação Leão XIII, no horário de 09:00h às 16:00h, ou através do site www.transportes.rj.gov.br.

O Vale Social é distribuído através dos postos de cadastramento. Você deve requerer o benefício levando o protocolo e a identidade.

A quem devo procurar quando surgir um problema?

Poucas são as instituições de apoio ao paciente renal no Rio de Janeiro. Umas mais atuantes e outras menos atuantes. Você deve pesquisar dentro de sua área, município ou estado a instituição que melhor lhe oferecer suporte emocional e instrucional.

Dentre as instituições que se destacam no Rio de Janeiro está a Associação dos Renais e Transplantados do Estado do Rio de Janeiro (ADRETERJ) localizada em Vila Isabel no Hospital Pedro Ernesto - Rua 28 de setembro 77, e-mail: adreterj@adreterj.org.br, tel/fax: (21) 2587-6419 / 2567-5800. Ela é uma importante representação do controle social dentro da área da nefrologia e a única que tem o título de utilidade pública dentro do segmento e com características como: entidade de controle social, sem fins lucrativos, com caráter fiscalizador e informativo.

Alem da ADRETERJ no Rio de Janeiro temos também a Associação de Movimentos dos Renais Vivos e Transplantados (AMORVIT) que tem sede no Hospital Federal de Bonsucesso - Av. Londres 616, Bonsucesso, www.amorvit.org.br, tel. 39779844. Realiza reuniões e projetos voltados ao bem estar do paciente renal.

O apoio aos pacientes renais se estende também por vários estados brasileiros e dentre eles podemos destacar algumas associações como:

. Associação de Pacientes renais de Santa Catarina (APAR) - www.aparsc.org.br.

. Associação dos Renais Crônicos e Transplantados do Pará (ARCT) – www.arctpa.com.br.

. Associação dos Pacientes Doadores e Transplantados Renais de Sorocaba e Região (TRANSDORESO) - www.transdoreso.org.

. Associação Renal Vida, de Blumenau - www.renalvida.org.br.

. Associação de Doentes Renais e Transplantados de Divinópolis e Região Centro Oeste (ADORTRANS) - www.adortrans.org.br.

. Associação dos Pacientes Renais, Doadores e Transplantados de Betim – tel. (31) 3595-9402.

. Associação Bauruense de Apoio e Assistência ao Renal Crônico (ABREC) - www.abrec.org.br.

. Associação dos Renais Crônicos de Campinas - (019) 231.9156.

. Associação Pró Renais Crônicos do Brasil (APREC) - aprecbrasil@aol.com.br.

. Associação de Carentes Renais de Feira de Santana - Av. Sampaio,58 - Bahia, . Associação Cearense dos Renais e Transplantados – tel. (085) 272.3208.

. Associação dos Pacientes Renais do Espírito Santo – tel. (027) 329.3110.

. Associação dos Renais Crônicos Região Nordeste do Rio Grande do Sul – tel. (054) 225.2118, Associação dos Renais Crônicos do Rio Grande do Norte – tel. (084) 213.3872.

Dentre as instituições existentes, você deve procurar também serviços especializados na doença renal no Rio de Janeiro como: Hospital Federal de Bonsucesso (Bonsucesso), referência em atendimento de alta complexidade como transplante de rins, fígado e córnea,  www.hgb.rj.saude.gov.br, tel. 3977-9500 – Av. Londres 616.

O Hospital Pedro Ernesto (Vila Isabel), privilegia questões acadêmicas de ensino e pesquisa, por isso, transformou-se em um dos maiores complexos docentes-assistenciais na área da saúde, sendo hoje, referência numa série de especialidades, entre elas a nefrologia e importante núcleo nacional de formação de profissionais na área médica, www.hupe.uerj.br, tel. 28688548 – Rua 28 de setembro 77.

Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (Ilha do Fundão), atualmente, o HUCFF é um centro de referência para procedimentos de alta complexidade em diferentes áreas como, nefrologia e transplante, entre outros, www.hucff.ufrj.br, tel. 25622789 ramal 2836.

O Hospital Municipal Souza Aguiar (Centro), é o maior hospital de emergência da América Latina, tel. 3111-2600 - Praça da República, 111.

O paciente que vai para a hemodiálise em um hospital da rede pública, automaticamente entra em uma fila única à espera de uma vaga em uma das 73 clínicas conveniadas ao Sistema Único de Saúde (SUS), que oferecem o tratamento. O objetivo é organizar e diminuir o tempo de diálise nos hospitais, transferindo o paciente para uma clínica o mais perto de sua casa possível. O objetivo é organizar o sistema e reduzir o tempo que o paciente leva fazendo hemodiálise em hospitais de emergência, conseguindo uma vaga em uma clínica, o mais perto possível de sua casa.

Como gerar renda?

Cooperativas e Empreendedor Individual

O trabalho de carteira assinada nem sempre está à disposição de todos de precisam trabalhar. Com a diminuição do emprego de carteira assinada surgiram novas formas de se gerar renda. Grupos de trabalhadores em todo o Brasil estão se reunindo em associações e cooperativas. O governo federal, estadual e municipal tem secretarias especiais para cuidar desse tipo de negócio: a secretaria de economia solidária. A economia solidária nasce da vontade de vencer o desemprego e da vontade de trabalhar para o bem comum. Também aumenta a cada dia o número de trabalhadores por conta própria.

O Empreendedor Individual é uma pessoa que trabalha por conta própria de modo legalizado. Você não pode ter mais de um negócio, nem como sócio. Você será incluído no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ), poderá emitir notas fiscais e não vai pagar impostos federais.

Todo o processo de registro é gratuito e você pode contar com o apoio do SEBRAE.

Sites de empreendedores individuais

http://www.responsabilidadesocial.com/ – site informativo para cadastramento como empreendedor individual. Saiba a importância de se formalizar, seus benefícios e quanto custa.

http://www.portaldoempreendedor.gov.br/modulos/inicio/index.htm -  site informativo sobre empresas negócios, idéias e oportunidades de trabalho.

http://www.mundosebrae.com.br/2008/11/mei-micro-empreendedor-individual/ - site informativo do SEBRAE sobre o empreendedor individual, cada profissão e sua denominação, assim como documentação necessária para o seu estabelecimento no empreendedorismo.

http://microcredito.blog.br/microempreendedor/faca-seu-emprestimo - através deste site, o micro empreendedor tem informações de entidades credenciadas pelo Ministério de Trabalho e Emprego, serviço do Governo Federal, PNMPO – Programa Nacional de Microcrédito Produtivo Orientado, onde realiza seu cadastro, possibilitando assim, solicitação de microcrédito.

O que é Responsabilidade Social?

Diante dos problemas graves que vivemos hoje no nosso mundo, principalmente a pobreza extrema causada pela desigualdade social, a sociedade resolveu agir em conjunto. Em 1930 as empresas começam a falar e a fazer responsabilidade social. A preocupação com o ambiente também faz parte da responsabilidade social das empresas.

Podemos dizer que uma empresa faz responsabilidade social quando apoia e financia projetos que melhorem a qualidade de vida das pessoas e das comunidades.

A economia solidária trabalha muito com responsabilidade social. Os projetos de geração de renda das cooperativas, dos pequenos empreendedores. Uma empresa pode financiar o seu negócio se você souber como pedir dentro da lei da responsabilidade social.

Sites de responsabilidade social

http://www.pro-renal.org.br/educacao.php - O principal objetivo é dar assistência aos pacientes renais crônicos, atuando em Clínicas e Hospitais conveniados. A Pró Renal Brasil realiza também eventos de saúde em empresas, visando a educação na saúde e prevenção.

http://www.fgv.br/cev/rsnovarejo/banco_busca.asp -  é uma ferramenta de pesquisa online que disponibiliza boas práticas de responsabilidade social e sustentabilidade do setor varejista brasileiro para consulta pública.

http://www.metrorio.com.br/educacao.htm - Neste site você encontra projetos de educação, desenvolvimento e empregabilidade. O projeto "abrindocaminhos" oferece vagas para pessoas com deficiência.

Para concorrer a uma vaga, é preciso ter ensino fundamental completo. Os interessados devem inscrever-se no Programa através do site do Metrô, http://www.metrorio.com.br/trabalhe_conosco.htm clicando em trabalhe conosco e a seguir em oportunidades.

http://www.responsabilidadesocial.com/ -   É um site de informação na área social, com espaço destinado à capacitação, empregos e projetos.

http://www.rio.rj.gov.br/web/smpd/ - Site da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência, Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro. Espaço destinado a oportunidades e eventos com ênfase na inclusão social em diversas áreas da cidade.